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O cinema como estratégia de luta em terras indígenas do Pará

Produção e exibição de vídeos fortalecem a resistência e a autoestima dos povos do Mapuera

20 agosto 2018

- por Fundo Brasil de Direitos Humanos -

Aloyana Lemos, representante da APIM – Associação dos Povos Indígenas do Rio Mapuera (Foto: Lilo Clareto)

Um lençol branco, um projetor e uma caixa de som. Essas três ferramentas são suficientes para as sessões de cinema realizadas pela Associação dos Povos Indígenas do Mapuera, no Pará, como uma das atividades do projeto Movimento Mais Direitos para os Indígenas do Rio Mapuera, apoiado pelo Fundo Brasil.

O cinema, uma grande novidade nas Terras Indígenas Trombetas-Mapuera e Nhamundá-Mapuera, é uma das estratégias para combater os preconceitos sofridos pelos indígenas, fortalecer a resistência ao megaprojeto hidrelétrico previsto para a bacia do rio Trombetas e estimular a autoestima dos jovens, futuras lideranças das terras.

São exibidos filmes com temáticas indígenas e políticas. Um dos vídeos, por exemplo, mostra o povo Munduruku fazendo a autodemarcação de suas terras.

Também são realizadas oficinas de direitos indígenas, em que é debatida a importância do audiovisual e da estética e como usar isso na luta por direitos.

As Terras Indígenas Trombetas-Mapuera e Nhamundá-Mapuera abrangem 5.020.418 hectares de extensão e estão localizadas na tríplice fronteira dos estados do Pará, Amazonas e Roraima. Juntas, abrigam 12 etnias e mais de duas mil pessoas.

A maioria das aldeias fica às margens do rio Mapuera e o acesso a elas é realizado por canoa. A estrutura precária de transporte na região é uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos ativistas envolvidos no projeto apoiado pelo Fundo Brasil.

“Só os índios dominam a técnica capaz vencer as cachoeiras do trajeto”, afirma Aloyana Lemos, da ong Kirwane – Desenvolvimento Integral, parceira da Associação dos Povos Indígenas do Mapuera.

Os relatos sobre o projeto apoiado foram feitos para uma equipe do Fundo Brasil durante viagem de monitoramento realizada no final de julho, no Pará.

Aloyana contou, por exemplo, que a partir das oficinas de direitos os indígenas produziram vídeos com conteúdos relevantes para suas aldeias. Muitos deles têm celulares e a tecnologia atrai principalmente os mais jovens.

Fundada no ano 2000, a Associação dos Povos Indígenas do Mapuera reconhece a importância dos jovens indígenas em suas articulações, estimulando a participação deles em reuniões e discussões, para que possam conhecer a gestão de seus territórios e estar preparados para dar continuidade às culturas ancestrais.

Por meio desse contato com jovens lideranças, a organização observou a vontade deles de trabalhar com instrumentos de comunicação, como o audiovisual.

Aloayna Lemos durante roda de conversa organizada pelo Fundo Brasil em Altamira (Foto: Lilo Clareto)

Fundo Brasil

O Fundo Brasil é uma fundação independente, sem fins lucrativos. É um elo entre doadores e organizações locais. Oferece apoio financeiro e técnico a essas organizações, para viabilizar projetos de defesa e promoção de direitos humanos. São iniciativas que empoderam pessoas e fortalecem a sociedade civil.

A fundação atua para que integrantes de grupos vulneráveis e vítimas de violações possam ser protagonistas de suas próprias causas, ampliando suas vozes para defendê-las. Tem ainda o objetivo de dar visibilidade ao papel das organizações na defesa dos direitos humanos. É também dessa forma que contribui para transformar realidades de violação e para o fortalecimento da democracia.

Nas visitas de monitoramento a organizações apoiadas, o Fundo Brasil oferece assistência técnica e estratégica. As visitas são também uma oportunidade de ver de perto a realidade local e fazer uma rápida avaliação do trabalho em conjunto com aqueles que o estão executando.

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