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Conheça os projetos selecionados no edital ‘Enfrentando o racismo a partir da base’

Serão apoiadas oito iniciativas que vão realizar ações diretas em vários estados do país

19 novembro 2018

- por Fundo Brasil de Direitos Humanos -

O Fundo Brasil, em parceria com a Fundação Open Society, vai doar R$ 490 mil para apoiar iniciativas que enfrentem o racismo a partir de ações diretas junto à realidade vivida pela população negra no Brasil.

Foram selecionadas oito iniciativas por meio do edital “Enfrentando o racismo a partir da base: mobilização para a defesa de direitos”, lançado no dia 13 de junho deste ano e cujos resultados são divulgados na semana em que é comemorado o Dia da Consciência Negra.

Os projetos selecionados são os seguintes:

Associação Elas Existem- Mulheres Encarceradas

Associação dos Remanescentes do Quilombo Rio dos Macacos

Coletivo Agentes Agroflorestais Quilombolas (AAQ)

Coletivo Brincadeira de Negão

COMUNEMA – Coletivo de Mulheres Negras Maria-Maria

Fórum das Juventudes da Grande BH

Grupo Conexão G de cidadania LGBT de moradores de favelas

Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde

O edital

O edital foi lançado por meio de um debate online realizado pelo Fundo Brasil com as participações do consultor e ativista Douglas Belchior; da ativista Maria Teresa Ferreira, do Momunes – Movimento de Mulheres Negras de Sorocaba; e da ativista Renato Prado, da Frente Nacional de Mulheres no Funk. A mediação foi da jornalista Simone Nascimento, assessora de comunicação do Fundo Brasil.

Durante o debate, Douglas falou sobre o mapeamento de organizações que enfrentam o racismo que ele conduziu nos últimos meses, a partir de uma iniciativa do Fundo Brasil em parceria com a Fundação Open Society. Ele percorreu oito estados brasileiros e teve contato com 200 coletivos.

“Há uma diversidade, radicalidade e uma quantidade muito significativa de iniciativas de resistência ao racismo”, disse.

São iniciativas que podem ganhar ainda mais força a partir de apoios como o oferecido pelo edital.

Após o lançamento, as inscrições ficaram abertas até o dia 31 de agosto, por meio de um formulário na internet.

Foi realizada uma ampla estratégia de comunicação, que incluiu, além do debate online, vídeos explicativos, postagens no site e nas redes sociais do Fundo Brasil e divulgação em veículos de imprensa.

O debate online pode ser conferido aqui.

A seleção

O edital recebeu a inscrição de 465 projetos. As iniciativas foram analisadas por um comitê de seleção externo e independente e também foram submetidas à governança do Fundo Brasil.

O comitê de seleção foi formado pela filósofa e ativista Sueli Carneiro, diretora do Geledés – Instituto da Mulher Negra; Elizandra Souza, ativista do movimento negro e cultural de São Paulo; e Giovanni Harvey, presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá.

“Foi desafiador. Existiam muitos projetos que não queríamos deixar de fora”, resumiu Elizandra, durante a apresentação das iniciativas selecionadas.

Os projetos apoiados receberão até R$ 70 mil cada um e deverão realizar suas atividades em um prazo máximo de 18 meses de duração.

O contexto

O Atlas da Violência 2018 mostra que o Brasil atingiu pela primeira vez em sua história o patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. A taxa foi registrada em 2016 e corresponde a 62.517 homicídios – 30 vezes mais do que o registrado na Europa.

O estudo, realizado pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforça a seletividade no perfil das vítimas de violência.  De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram negras.

De 2006 a 2016, o número de negros vítimas de homicídio aumentou 23%, enquanto o de não-negros diminuiu 6,8%.

Também no contexto da violência, os números do feminicídio (assassinato de mulheres por sua condição de gênero) também revelam o racismo no país. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54% enquanto o índice de feminicídios de brancas caiu 10% no mesmo período de tempo. Os dados são do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais.

Outro dado diz respeito à população prisional. Mais da metade das 622 mil pessoas encarceradas no Brasil são negras, segundo o Infopen – Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias.

Em relação à desigualdade salarial, a Oxfam mostra na pesquisa “A distância que nos une – Um retrato das desigualdades brasileiras” que os brasileiros brancos ganhavam em 2015 o dobro do que os negros.

Fundo Brasil

O Fundo Brasil é uma fundação independente, sem fins lucrativos. É um elo entre doadores e organizações locais. Oferece apoio financeiro e técnico a essas organizações, para viabilizar projetos de defesa e promoção de direitos humanos. São iniciativas que empoderam pessoas e fortalecem a sociedade civil.

A fundação atua para que integrantes de grupos vulneráveis e vítimas de violações possam ser protagonistas de suas próprias causas, ampliando suas vozes para defendê-las.

A fundação tem ainda o objetivo de dar visibilidade ao papel das organizações na defesa dos direitos humanos. É também dessa forma que contribui para transformar realidades de violação e para o fortalecimento da democracia.

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