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As histórias de luta precisam ser contadas

Leila Barreto, do histórico Gempac, fala sobre a importância de preservar os acervos das instituições

06 setembro 2018

- por Fundo Brasil de Direitos Humanos -

Leila Barreto, sendo filmada por celular, durante roda de conversa realizada pelo Fundo Brasil em Altamira (Foto: Lilo Clareto)

As histórias das pessoas que constroem as políticas sociais no Brasil precisam ser contadas. Não podem ser apagadas. São histórias importantes para as transformações sociais do país e para que as novas gerações tenham uma base para suas trajetórias.

Essa defesa de preservação da memória é feita por Leila Barreto, do Gempac – Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará, uma organização pioneira na organização das prostitutas na região Norte do país.

Nascida em Belém, Leila é filha de Lourdes Barreto, uma líder histórica da articulação das trabalhadoras do sexo. Apesar de ter outras experiências profissionais, Leila contribui com a causa desde a juventude, quando assumiu a tarefa de enfrentar os preconceitos e as violações que marcam a profissão.

O Gempac é apoiado pelo Fundo Brasil por meio do projeto Zona Legal: futuros feministas e de direitos das trabalhadoras sexuais brasileiras.

Leila falou sobre a necessidade de contar as histórias de ativistas durante roda de conversa realizada em Altamira (PA), no final de julho, com o objetivo de discutir como organizações, grupos e coletivos atuam em rede em tempos de retrocessos contra os direitos humanos, além de incentivar a articulação de estratégias de ações conjuntas.

Não é uma tarefa fácil, como ela mesma descreveu. Organizações como o Gempac enfrentam muitas dificuldades, inclusive para preservar os acervos que possuem.

No caso do grupo, são três décadas de histórias e lutas pela superação de preconceitos, redução da discriminação, valorização da identidade da mulher e trabalhadora sexual, fortalecimento de ações de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes e combate ao tráfico de seres humanos.

“Mas a crise é uma oportunidade e os movimentos não devem ficar apenas em torno dela”, defendeu a ativista. Para Leila, a crise atual até agitou um pouco o que estava “meio morno”.

Nesse sentido, ela afirmou que são muito importantes encontros como o realizado pelo Fundo Brasil na região Norte.

As articulações das trabalhadoras do sexo lutam para que a existência das prostitutas como cidadãs não seja negada. São mulheres, como Lourdes, a mãe de Leila, que trabalham para sustentar a casa, cuidam dos filhos, têm papel importante na construção de políticas públicas.

“A prostituta existe, a família da prostituta existe e, além de existir, a gente tem um papel a cumprir”, disse.

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